terça-feira, 10 de maio de 2011

Querido Coração

Querido coração, preciso esclarecer-lhe sobre alguns fatos: se você não sabe o que quer, ou melhor, quem quer, sei menos ainda; porém já passou da hora de vivermos cada um a própria vida.
Estou tentando dizer que não, você não manda em mim; o fez um dia (quase 22 anos), mas perdeu a vez porque não soube gerenciá-la. Sim, meu bem, é tudo questão de gestão, ou como relacionar-se com o mundo sem depender 100% dele. Convenhamos, ninguém merece esse fardo!
Vou até mais além e cito Roberto Carlos: “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”; meu filho, sinceramente, vivi tanto que você jamais suportaria repetir o refrão para me acompanhar e claro, não sei dizer se foram mais lágrimas ou botox de pobre (os risos).
A melhor (e talvez única) parte disso é que estou no meu auge, você já não pode mais me superar, é apenas um coração “Maria-vai-com-as-outras”, esperando a paixão piscar para entregar seus esforços. Nossa relação não dá mais certo, percebi isso há algum tempo.
Estou confusa, contudo uma coisa é fato: a palavra mais dita desde o primeiro parágrafo foi ‘não’, o que me faz pensar que estou no caminho certo. Você poderia fazer o patriota e dizer “mas gata, minha vida no teu seio mais amores”, só que ainda assim eu não mudaria de idéia.
De agora em diante, eu sigo a minha vida e você a sua, porque preciso ir em frente e com a sua companhia, sempre teria que olhar para trás; saldo negativo, pois é. Preciso somar, multiplicar e mesmo que as paixões sejam muitas, somente eu posso encontrar o paraíso de ser quem sou; não vou te excluir, mas agora você não pode mais palpitar por nada, só sentir e guardar a sensação para si. Me inclua na vida, não mais em sofrimento.