quinta-feira, 15 de julho de 2010

A despedida

Há muito tempo ando sentindo vontade de escrever novamente. Depois de muito viver e aprender, como obviamente seria em qualquer lugar que eu estivesse, chegou o momento de começar a tal contagem regressiva. Trinta dias, nada além disso. O que é um mês perto de quem passou seis vivendo um sonho que se finda? Porque sim, é preciso deixar o quarto mais aconchegante que já tive, meu jardim secreto, deixar o ar, as construções seculares e apenas levar as lembranças.
Parece pouco, porém é menos que isso. O pior é ter que suportar pessoas contando os dias por mim, os meus dias, aqueles que ainda tenho e que se pudesse guardaria em uma caixinha e a esconderia como Bretodeau, aquele que morou no apartamento da Amelie. Cada vez que me perguntam quando volto, insiro ou cito a data marcada, mas hoje, depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que não voltarei.
Não sou mais a pessoa que deixou família, amigos, Brasil naquela noite de Janeiro, e por isso não voltarei. Aquela que foi não será aquela que abraçará quem deve, levará presentinhos ou ficará feliz em ter o carinho do cão. A única coisa que posso dizer é que conheço muito mais essa nova pessoa que aqui está do que aquela que um dia partiu. Conheço e prefiro. Essa é ainda mais intensa e confusa, porém está mais viva do que a outra qualquer dia esteve.
Em tempos onde muitos se despedem dessa vida que tivemos, sempre digo a mesma coisa: ninguém está perdendo nada, ou melhor, a perder. É engraçado, pois enquanto muitos choram por vivenciar momentos de adeus, só consigo pensar em mim. Jamais darei adeus a algo que é meu. Tudo que cá passei, ninguém é capaz de apagar. A sensação é a mesma de quando o Bi foi morar no céu. Não vi mas fiquei sabendo, porque ele vem todas as noites me encontrar e embalar meus novos sonhos ou no mínimo me tirar de um pesadelo.
Para mim, é isso que Coimbra significa. Um sonho que deu origem a outros. Ter vivido isso é o abraço mais forte, sincero e caloroso que pude um dia me dar. Longe de qualquer proximidade com o egoísmo, essa declaração é real e me faz, realmente, pensar que sou a melhor pessoa do meu mundo.
Me permiti ser feliz por todo esse tempo, que mal pode haver nisso? Não que eu nunca tenha sido feliz, mas dessa vez eu quis isso por todo o tempo, sem pensar em desistir. Se alguém souber mesmo o que é essa sensação/vontade, pode ficar tranquilo, pois jamais se esquecerá.
Eu não volto atrás. Eu não voltarei. E não foi preciso nenhuma outra pessoa para tanto. Já me despedi de quem devia, daquela que não sou mais. Não é preciso mais nada.

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